segunda-feira, 27 de abril de 2026

A marcha do sem terra

30 anos do movimento de 17 de abril de 1997

 Trabalhadores rurais sem terra caminharam cerca de 1.000 quilômetros até Brasília, saindo de três estados, para chegar na capital federal no dia 17 de abril de 1997, exatamente um ano depois do assassinato de 21 trabalhadores no episódio que ficou conhecido como “massacre de Eldorado dos Carajás”, no interior do Pará. Além das vítimas fatais, 70 pessoas ficaram gravemente feridas. Em 2026, o massacre completa 30 anos sem ter levado ao banco dos réus os principais responsáveis pelo crime.


O massacre aconteceu quando cerca de três mil trabalhadores caminhavam na estrada em direção à Belém para exigir o assentamento em uma fazenda grilada de terras públicas e trabalho escravo, quando foram atacados pela Polícia Militar do Pará. Dois comandantes da PM foram condenados pelo crime e cumpriram a pena em celas especiais da Polícia Miitar em Brasília. O governador do estado, Almir Gabriel, e o secretário de segurança, Paulo Sette Câmara, nem foram mencionados durante o julgamento.


Na época, o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso, segundo presidente eleito democraticamente após a ditadura, e o governador do Distrito Federal era Cristovam Buarque, então filiado ao PT. A ordem dos dois executivos foi para acolher os 1.300 manifestantes que chegaram em Brasília. Nesse tempo, eu era assessora de imprensa do deputado distrital Antônio José Ferreira, o Cafú, do PT, que tinha a reforma agrária como bandeira de luta.


Em nome do gabinete, acompanhei o grupo de trabalhadores rurais que se deslocou a partir do estado do Mato Grosso, entrando por Goiás até chegar em Brasília. O objetivo era oferecer o apoio do gabinete do deputado e documentar em fotos a chegada do grupo em Brasília, onde foi recebido por cem mil pessoas, depois de dois meses de caminhada. Acompanhei a marcha durante uma semana e as fotos publicadas aqui são um pouco do registro da marcha. Trinta anos depois, os avanços foram poucos e a prometida reforma agrária ainda é utopia.


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